Mesmo depois de me mudar de volta pro Rio, eu ainda não tinha tido tempo de brincar com o meu monitor novo (Um Benq XL2430T), então pensei que agora seria uma boa hora.
Rodei o 3DMark e… o computador deu tela azul. Reiniciei e… vários beeps e nada do PC ligar. Isso realmente não é nada bom…
De acordo com a frequência dos beeps, o problema era que nenhum pente de memória era detectado. Testei cada módulo de memória separado (eu tenho 2x8Gb de G.Skill RipjawsX e 2x4Gb da G.Skill Sniper), e nenhum deles era detectado. Que bom! #sqn
Das duas uma: Ou a placa mãe (uma Asus P8Z68-V PRO) estava fritando minha memória, ou os 4 pentes tinham queimado simultaneamente (o que acende um alerta pra placa mãe/fonte também estar com problema). A melhor forma era testar as memórias em algum ambiente parecido.
Por coincidência, um amigo meu (valeu Ricardo!) tem a mesma placa mãe que eu, então testamos os 4 pentes, um a um, na máquina dele. Surpresa: nenhum ligou. Beleza, dos males o menor.
Comprei os 2 pentes mais baratos que não fossem horríveis (2x Kingston KVR16LN11/4 para 8GB), liguei na placa mãe e ele detectou a frequência em 1333MHz, quando essa memória é de 1600MHz. Alterei e… os beeps voltaram. Num pingo de esperança, resetei a BIOS e liguei as G.Skill, mas nada aconteceu. Ok, elas foram pro saco mesmo.
Limpei novamente a BIOS, liguei com as Kingston, e bootou novamente em 1333MHz. Deixei dessa forma, morrendo de medo de desligar e o computador não ligar mais.
Quando há fumaça…
A questão é: é bem improvável que as memórias fritaram juntas por um acaso do destino (até porque as RipjawsX não tinham nem 1 ano de uso), então provavelmente alguém fritou elas.
A minha fonte é uma EVGA Supernova G2 de 750w. Lendo um pouco sobre ela, fica bem claro que ela é A B S U R D A. Nem cogitei ser ela a causa. Logo, sobra a placa mãe… E como o meu computador já é bem velhinho (o processador é um Core i5 2500K, que foi descontinuado no início de 2013!), estava na hora de um upgrade. Eu já estava fora do mundo dos SSDs M.2 NVM3, ainda usava DDR3, não tinha USB3.1 nem USB-C, mas em questão de performance, estava aguentando — até a placa mãe começar a queimar as memórias e reclamar da frequência delas.
Enquanto eu reclamava e pesquisava, novamente erro de memória. Numa forma de pelo menos ligá-lo para ter certeza absoluta que não é a fonte, decidi desmontá-lo por completo e, apesar de não ter conseguido ligá-lo, consegui isolar o problema. Reparem nessa foto do processador e do soquete:
Quando eu tirei o processador do soquete, os pinos estavam colados no processador! O lado bom é que consegui identificar que era a placa mãe quem estava fritando as peças (com certeza não era a fonte), mas o lado ruim é que eu não posso mais testar as peças antigas para tentar vendê-las.
Sem computador, comecei logo a pensar nas novas peças. Atualmente, seria muito difícil conseguir algo compatível com qualquer componente meu que não se chame placa de vídeo. Também, só tinha sobrado ela e os HDs. Logo, seria um upgrade quase que completo, visto que ainda tenho os componentes “de fora” (mouse, teclado, monitor e headset), placa de vídeo e discos.
No meio do caminho, bateu uma raiva do tamanho do meu computador — meu quarto não era mais tão grande, e qualquer espaço livre seria muito bem vindo. Quando reparei, já tinha entrado de cabeça no mundo do Small Form Factor (SFF), pesquisando gabinetes e placas mãe Mini ITX.
Pequeno mas espaçoso
Eu estava atrás de um gabinete que fosse pequeno (contrastando com o meu Cooler Master CM 690 II Advanced), coubesse a minha fonte (eu já disse que ela é absurda?), que tem 180mm de comprimento, além de suportar uma placa de vídeo ao menos do tamanho da minha (XFX R9 280x Black Double Dissipation Edition), que tem 295mm de comprimento, apesar de um upgrade de placa de vídeo estar no cronograma. Não pretendia fazer SLI/Crossfire porque dinheiro não dá em árvore e infelizmente moro no Brasil, então não me importei com falta de suporte à múltiplas GPUs.
Depois de muito pesquisar, decidi usar o Riotoro CR280. Apesar de ser uma marca pouco conhecida, os reviews dele foram ótimos, mostrando que, apesar de suportar GPUs de no máximo 292mm (sim, 3mm a menos que a minha GPU), ele suporta fontes mais longas do tipo ATX, o que, segundo muitas fontes, inclui a minha fonte (no pun intended), suporta 2 SSDs para RAID0 além de ter espaço para um HDD que vai ser usado como Storage, e tem espaço para radiadores de até 240mm em duas posições distintas (segundo o manual – mais sobre isso quando eu falar do cooler de CPU).
Reviews dela contam que o fluxo de ar dentro dela é muito bom, uma grande preocupação dados os 40ºC (na sombra) do Rio de Janeiro. Além disso, as outras opções (Corsair 250D, NZXT Manta, Coolermaster Elite 130 e Thermaltake Suppressor F1) eram mais caras (quando tinham disponíveis no Brasil), e tinham alguns reviews sobre fluxo de ar e cable management que me deixaram preocupado.
Decidido o gabinete, vamos ao processador, já que a placa mãe é decisão direta dela.
AMD ou Intel?
Coincidentemente, a decisão do gabinete aconteceu um dia antes do embargo de reviews do AMD Ryzen acabar, então perdi um bom tempo lendo sobre a nova arquitetura high-performance da AMD.
Apesar de todos os reviews mostrarem (cada palavra leva para um diferente) que o Ryzen, em questão de trabalho bruto, se compara à processadores Intel que custam o dobro do preço, infelizmente o Ryzen ainda não está pronto para jogos. Nos testes de jogos em 1080p, o modelo topo de linha (o 1800X) se saiu bem parecido ao Kaby Lake i7 7700k (com uma leve vantagem para a Intel), e foi massacrado pelos Haswell-E e Broadwell-E. Se você joga em 4K (o que eu pretendo fazer, ligando o PC na TV), o gargalo deixa de ser a CPU e passa a ser a GPU, mas meu monitor é 1080p/144Hz, e eu não gosto da ideia de gastar dinheiro em algo que “gargala” meu PC em uma dada circunstância. No futuro, esses testes não vão fazer diferença, mas em 2017, o Ryzen não atende aos gamers.
Segundo a AMD, os desenvolvedores ainda não tiveram tempo para otimizar seus jogos à arquitetura, o que pode justificar a baixa performance em jogos, ainda mais levando em consideração que o mesmo 1800X competiu muito bem com os I7 topo de linha em ferramentas de benchmarking, video encoding e renderização – por metade do preço.
O Ryzen prometeu (e cumpriu!) uma performance absurda em relação aos modelos topo de linha da Intel, mas infelizmente não está maduro ainda para gamers. Parece que o Ryzen é espetacular em cálculos de números em ponto flutuante (o novato da AMD foi o melhor colocado nos testes de física do 3DMark) do que em números inteiros. Como os cálculos em ponto flutuante de jogos são feitos pela GPU, o Ryzen não é capaz de mostrar toda sua performance. Isso é só uma suposição, mas faz bastante sentido.
Não me entenda mal – o Ryzen é um processador absurdo, capaz de competir com o i7 6900k custando quase a metade do valor — o i7 está US$1049, enquanto o Ryzen 1800x custa US$499. Mas eu não pretendia comprar um 6900k, e em jogos ele tem um desempenho tão bom quanto o i7 7700k que se encontra no Brasil por um preço não tão acima do dólar (R$1350, contra US$350). Para piorar, a única empresa fabricando placas mãe Mini ITX com suporte à AM4 (soquete utilizado pelo Ryzen) é a Biostar, o que limita muito minhas escolhas.
Enfim, voltando à minha escolha, acho que já demonstrei um certo amor pelo 7700k nas comparações com o processador da AMD. Muito provavelmente o Core i5 7600k é uma escolha mais consciente (falando em $$$), mas como nunca se sabe o dia de amanhã, vai que eu passe a precisar do Hyper Threading, da cache maior e da maior frequência no futuro. Por R$350 a mais, acho que vale a pena. Como já dizia o Kaiba, “Screw the rules I have money” #sqn.
A Mãe de todos
A placa mãe foi uma das escolhas mais difíceis, com 3 grandes concorrentes:
De início, queria descartar uma placa para poder fazer pesquisas mais consistentes, e a escolhida para deixar a lista foi a MSI, por não ter encontrado tantas builds a utilizando no PCPartPicker — a preferência se divide principalmente entre a Asus e a Asrock.
Apesar da Asus ter o velho problema da compatibilidade de memórias (a minha antiga é Asus, e foi um parto conseguir fazer minhas G-Skill’s funcionarem nela), inclusive tendo relatos de memórias da própria QVL da Asus não sendo detectadas, a Asrock possuía bem mais problemas:
- O Bluetooth 4.0 interferia com o sinal LTE (dos gringos, pelo menos);
- Relatos de machine check exception nos processadores;
- ACPI Bug que gerava 300Gb de logs em poucas horas;
E o principal:
- Teria que importar sem a caixa (risco de envergar muito alto) e não teria garantia no Brasil.
Levantei os pontos negativos (ao meu ver) da Asus, para comparação com os da Asrock:
- Não dá pra desligar os LEDs da placa mãe quando desliga o computador;
- Compatibilidade de memórias bem restrito;
- Relatos de rodar muito quente;
- Não possui header USB 2.0;
O maior impeditivo é a falta do header USB 2.0 (explico mais à frente), mas isso não causará tantos problemas.

Água para refrescar
Como o 7700k não vem com cooler, o gabinete é pequeno e eu vivo no Rio de Janeiro, preciso de uma solução de resfriamento eficiente. Os coolers baseados em ar causariam uma obstrução muito grande, com os coolers de referência (o Coolermaster Hyper 212 Evo e o Noctua NH-D15) sendo grandes demais para o gabinete.
Pesquisando na Internet, acabei chegando nos Water Coolers Closed Loop, que nada mais são do que soluções de resfriamento a base de água já prontas de fábrica, basta parafusar o radiador e as ventoinhas no gabinete, e o bloco com as mangueiras no processador. Já as soluções de water coolers open loop são completamente separadas, sendo necessário adquirir radiador, bomba, reservatório, mangueiras, fluidos refrigerantes e blocos específicos para conectar as mangueiras nas partes que se deseja resfriar, além de montar tudo manualmente. Como eu tenho muito medo de um vazamento desses destruir uma placa de mais de mil reais, preferi a solução já pronta, que é testada antes de ser embalada e enviada para minha humilde residência.
No Brasil, esse tipo de solução só é representada pela Corsair e Cooler Master, e todos da Cooler Master possuíam radiadores de 240mm. Radiadores deste tamanho necessariamente deveriam ficar na parte frontal do gabinete, ocupando um precioso espaço e tornando a minha busca por placas de vídeo (que precisaria ser ainda menor) desnecessariamente complexa.
Além disso, não fiquei 100% confiante na capacidade do Riotoro de suportar radiadores de 240mm – no manual diz que é possível remover um cooler para suportar o radiador (mas não informa o tamanho máximo da GPU após essa mudança), enquanto outros cantos da Internet simplesmente dizem “Não compatível”.
Por causa disso, decidi usar algum de 120mm da Corsair, já que poderia ser instalado na parte de trás do gabinete, ao lado/em cima (dependendo do ponto de vista) do painel traseiro da placa mãe, não impactando em nenhuma perda de espaço. Como eu queria algo melhor que resfriamento a ar, a melhor opção seria o H80i v2 (melhor que o 212 Evo, e equivalente ao todo poderoso NH-D15 segundo testes em full-load), cujos cabos ficam em 90° com a CPU, de forma a não tampar a entrada das memórias.
Como o H80 possui LEDs e é compatível com o Corsair Link, é necessário ligá-lo à um dos headers USB2.0 da placa mãe, para comunicação com o software. Surpresa – a Z270i Gaming não possui esse header. Pesquisando, encontrei relatos em fóruns de que o Corsair Link é incrivelmente “bugado” e mal otimizado. Encontrei também a solução alternativa que escolhi utilizar, que consiste em um cabo mini-USB para USB normal, plugar o cooler numa porta comum, editar as configurações e a cor do LED, e depois simplesmente desconectar esse cabo, desinstalando o Corsair Link. O cooler armazena as configurações internamente, então mudanças que eu faça no software são persistentes após essa desconexão.
Uma vaga lembrança
Próximo item: Memória. Aqui, a escolha do modelo foi bem fácil. A maioria das builds Mini ITX tendiam para as G-Skill Trident Z ou para as Corsair Vengeance LPX. Como eu já tive experiências ruins com G-Skill + Asus, resolvi ir de Corsair. Escolhi 16GB também por nenhum jogo ser faminto por memória a ponto de utilizar perto de 16GB, não haver nenhuma prova de aumento de performance após esse valor, e o kit de 32GB da Corsair custar mais de R$1000 em terras tupiniquins. Esse dinheiro a mais me deixaria escolher um SSD mais potente, ou até mesmo poder ir além na placa de vídeo (a diferença entre o kit de 16GB e o de 32GB é o suficiente para ir de GTX1070 para a GTX1080, por exemplo).
Espaço X Velocidade
Vamos para o storage. Eu possuo vários HDs comprados ao longo do tempo e plugados no computador que acabaram desorganizando toda a minha vida digital. Tem HD de 160GB até 2TB plugado na minha ex-máquina — inclusive o ST3500320AS da Seagate que foi brickado por um firmware mal planejado da Seagate que travava o HD em estado de “ocupado” e não deixava nada acessá-lo (mais sobre a o problema aqui e a solução que eu usei para revivê-lo aqui e aqui, mas já aviso que é bem técnica, envolvendo modificar um carregador de celular antigo e enviar comandos para o HD via porta de diagnóstico).
Como não há tanto espaço assim, e eu já planejava fazer um NAS para uso em casa, escolhi manter o HD de 2TB da Western Digital Caviar Green (WD20EZRX) como storage do computador e utilizar um SSD para o boot e os principais jogos.
Eu possuo um Crucial C300 de 120GB no computador antigo que planejava usar, mas pensei melhor e decidí usá-lo como boot drive e cache drive do NAS (apesar de eu ainda não ter 100% de certeza q vá usar isso, pois depende muito da quantidade de memória que eu vou dar para o NAS). Esse SSD é um tanto antigo já, e SSDs tem a vida útil bem menor do que HDDs. Por causa disso, o lugar menos crítico que podia usá-lo é como boot drive e cache do NAS. Além disso, pelo fato dele ser antigo, e existirem opções utilizando PCI-e/NVMe e todas essas siglas bonitas, eu achei melhor só reaproveitar nesse momento o HD de Storage.
Cruzando benchmarks e possíveis opções com as disponíveis no Brasil, cheguei ao Samsung 960 Evo de 250GB. Esse é o melhor SSD de alta performance na faixa de preço que eu aceito pagar, já que sua versão de 512GB (a opção que eu queria de fato) custa absurdos R$1500. Já é um ótimo upgrade em relação ao meu C300, tanto em questão de tamanho (o dobro) quanto em performance (já que ele não é limitado pela interface SATA).
Pixel Perfect
Agora, falta apenas a placa de vídeo. Aqui, eu estava em dúvida entre as duas High End da Nvidia – GTX 1070 ou GTX 1080. A pergunta que todos fazem é: Vai jogar em 4K? Se sim, 1080. Como eu pretendo ligar o PC na minha TV e jogar em 4K, fui de 1080.
O mais fácil foi, o problema era qual fabricante. Fiquei em dúvida entre a AMP! Extreme da Zotac, a FTW Gaming ACX 3.0 e a Superclocked (SC) ACX 3.0, ambas da EVGA, a ROG Strix da Asus, e a Gaming X 8G, da MSI. Muita opção, não? De cara, descartei a Zotac, a Asus e a MSI por questão de tamanho – elas são grandes demais para o Riotoro. Sobrou a FTW e a SC.
Procurando preços no Brasil, encontrei muito mais oferta da FTW DT do que da FTW em si. A versão DT das placas EVGA são as placas que perderam na loteria do silício e não conseguiram um overclock estável comparado à versão de referência. Exemplo: Uma FTW DT é uma placa que originalmente seria vendida como FTW, mas não obteve overclock estável o suficiente para ser vendida como FTW.
Pensei seriamente em pegar a FTW DT, mesmo com um pé atrás, por ser o modelo mais barato de GTX 1080 que eu encontrei no país. Pensei um pouco e concluí que valia a pena pagar R$200 a mais e pegar uma SC, sem o peso na consciência de ter um modelo “falho” no meu computador. Procurando o melhor preço da SC, encontrei uma FTW (não DT) pelo preço da SC num eshopbr que eu nunca ouvi falar, e como aceitava PagSeguro decidi arriscar. Óbvio que me dei mal – eles não tinham mais o produto em estoque, e me estornaram o valor. Por causa disso, acabei comprando a SC mesmo.

Lista Final de Peças
| Item | Marca | Modelo |
|---|---|---|
| Gabinete | Riotoro | CR280 |
| Placa Mãe | Asus | ROG Strix Z270i Gaming |
| Processador | Intel | Core i7 7700k |
| Memória | Corsair | Vengeance LPX 16Gb DDR4-3000Mhz |
| Cooler | Corsair | H80i v2 |
| Placa de Vídeo | EVGA | GeForce GTX 1080 SC Gaming ACX 3.0 |
| SSD | Samsung | 960 Evo 250Gb |
| HDD | Western Digital | WD20EARX |
| Fonte | EVGA | SuperNOVA 750 G2 |
| Monitor | BenQ | XL2430T |
| Teclado | Razer | Blackwidow Ultimate Classic |
| Mouse | Razer | Mamba 2012 |
| Headset | Logitech | G933 Artemis Spectrum |
Mão na Massa
Com as peças na mão, é hora da montagem.

De início, queria testar os periféricos separadamente. Para isso, montei apenas o básico – CPU e memória – na placa mãe e iniciei o memtest86+ através de um flash drive USB. O objetivo é verificar se a memória está 100% boa, para aproveitar o tempo de desistência de 7 dias que a lei brasileira nos dá, e trocar a memória sem maiores complicações. Deixei a noite inteira rodando, e depois de 4 “passes” sem nenhum erro, tive a confiança de que não há nada errado com elas.
Hora de montar no gabinete e estressar a CPU, para verificar as temperaturas. Aqui esbarrei no problema que todos relatam dos Mini ITX – falta de espaço para trabalhar. O CR280 até tem bastante espaço, mas o H80i ocupa grande parte dele, tornando alguns headers da placa mãe inacessíveis. É necessário conectar tudo antes de prender o radiador no gabinete, o que por si só é bem complicado dada a espessura do cabo, que não é muito maleável.

Bem, passado o sufoco de falta de espaço, o computador está montado!
Próximo passo: estressar a CPU. Instalei rapidamente o Windows 10, baixei o ROG Realbench e o deixei rodando por aproximadamente 4 horas, com o HWMonitor do lado monitorando suas temperaturas. Não estava preocupado com os tempos, e sim em algum elemento de instabilidade que possa ocorrer por falha no processador, memória, cache, storage ou mesmo overheating. Tudo OK também!

Um pequeno empecilho foi o SSD. Como disse antes, eu estava fora do mundo dos SSD M.2 NVMe. Pesquisei sobre a melhor forma de utilizá-lo e vi que a recomendação é de instalar o Windows numa partição GPT desse SSD, desabilitando algumas opções relativas a suporte de modo legado na BIOS. Essas configurações não funcionaram – o Samsung Magician (software recomendado pela fabricante para benchmarks e status do SSD — falo dele mais abaixo) identificava o 960 Evo como “Não genuíno” e dizia que não era suportado. Perdi a conta de quantas formatações/instalações de Windows eu fiz, até que resolvi simplesmente ignorar a Internet, atualizar a BIOS da placa mãe e utilizar o padrão otimizado recomendado por ela. E não é que funcionou? O Windows está como UEFI, numa partição GPT, e o Samsung Magician detecta o SSD corretamente. Depois de tanto mexer na BIOS, estou até agora com medo de mudar algo lá e o sistema não iniciar mais. Fiz um backup das configurações e o mantenho guardado para caso alguma mudança impeça o boot.
Próximo passo: Mais testes. A ideia é estressar o sistema como um todo para verificar temperaturas e a consistência da configuração. Como já havia testado processador e memória, resta discos e placa de vídeo.
O mesmo 3DMark que acendeu a luz vermelha para o meu computador antigo foi usado no novo, mas dessa vez não só rodou sem problemas, como me deu um resultado bem satisfatório:

Comparado com todos os resultados da base do 3DMark, meu pequeno poderoso é mais potente do que 87% deles. Apesar de não ter batido o “mínimo” para um Gaming PC capaz de rodar jogos 4K, fiquei muito contente com o quão perto ele está, ainda mais levando em consideração o tamanho dele. No futuro, com drivers melhores e mais otimizados, talvez ele consiga superar essa marca.

O SSD também foi testado, com a ferramenta da própria fabricante — o Samsung Magician, que serve tanto para atualizar o SSD como para monitorar sua saúde e testar sua eficiência. As especificações do 960 Evo dizem que ele suas velocidades são, no máximo, de 3200 MB/seg na leitura sequencial e 1900 MB/seg na escrita sequencial. Já na aleatória, ele faz no máximo 330 mil IOPS na leitura e 300 mil IOPS na escrita.
Os resultados de leitura, tanto sequencial quanto aleatória, acabaram me surpreendendo, com a leitura sequencial bem perto do máximo teórico e a aleatória sendo maior mesmo do que o modelo mais caro do SSD. As escritas, no entanto, deixaram a desejar, estando relativamente abaixo do máximo teórico. No entanto, esses testes não ocorreram num sistema ideal (sem nenhuma outra concorrência pelos recursos do computador), então acabei relevando. Para meu uso, era mais do que suficiente e já é um upgrade muito significativo em relação ao que tinha antes.
Por fim, instalei apenas o HD de 2TB antigo que eu tinha. Como eu tenho um monte de discos no computador antigo, precisei fazer alguns malabarismos pra conseguir espaço para tudo em 2TB + 256Gb do SSD enquanto o momento de montar meu NAS não chegava. Tudo que eu considerei importante foi movido para o de 2TB e o resto nos outros aguardando o NAS.
Conclusão
Eu já planejava fazer algum tipo de upgrade no meu computador, mas ninguém espera fazê-lo porque o antigo quebrou. Isso apressa todo o prazer de buscar conhecimento sobre o estado da arte atual, fazer a pesquisa de mercado, verificar compatibilidades e testes de performance, receber os produtos pelos correios, fazer o unboxing, montar tudo e ver a mágica funcionando ao ligar. Com sorte, eu já estava fazendo a pesquisa inicial há um certo tempo antes do PC queimar, além de ter um notebook muito bom (em 2012, pelo menos, era) caso precisasse, então acabei relaxando e desfrutando de todo o processo.
Fiquei muito satisfeito com o resultado final, até porque consegui um pequeno monstrinho, que desaparece atrás do meu monitor, e por um preço bem próximo do que pagaria lá fora, o que é uma grande vitória na minha opinião.
Espero que esse relato ajude nas pessoas que estão pesquisando peças. Por mais que a tecnologia evolua muito rapidamente, o processo de escolha (que, na minha opinião, é o mais importante) permanecerá bem similar conforme o tempo passa.

















